Tudo começou de repente. Sempre sonhei em trabalhar com livros, mas nunca havia traçado um caminho objetivo até eles. Um dia tive um sonho revelador - sim, isso acontece de verdade. Eu estava no meio da faculdade de jornalismo e então meu sonho me trouxe o caminho das pedras: eu poderia trabalhar numa editora. Só havia um problema - eu não tinha a menor ideia do que se fazia numa editora e muito menos de como conseguir um emprego em uma.
Colocando minha cara de pau jornalística para funcionar, telefonei para uma editora e disse que era estudante de jornalismo (verdade) e precisava fazer uma matéria sobre o mercado editorial (mentira). Perguntei se teriam um tempinho para conversar comigo. A pobre da moça ficou com pena de mim e me recebeu, na maior boa-vontade, alguns dias depois. Hoje me sinto mal pela mentira deslavada, por tomar o tempo dela e pela extrema falta de ética, mas sou imensamente grata a ela por ter me apresentado ao melhor emprego do mundo.
Algum tempo depois, um conhecido da minha mãe falou sobre uma vaga de estágio numa editora pequena, mas muito bacana. Fiquei interessada e mandei meu currículo. O processo de seleção foi rápido, e lá estava eu com o estágio nas mãos, realizando o que meu sonho profetizara poucas semanas antes.
Como qualquer estudante de comunicação, fiquei com o pé atrás - era uma editora basicamente de autoajuda. Meu preconceito era meio velado, confesso. Eu até gostava dos livros, mas não os levava muito a sério.
Então dez anos se passaram. Eu deixei de ser estagiária, deixei de ser criança, deixei de ser preconceituosa, e me tornei uma pessoa completamente diferente. Dez anos depois, agora como gerente de não ficção dessa mesma editora que cresceu junto comigo, eu posso dizer, sem medo de parecer piegas, sem medo de ser brega, sem receio da opinião do mundo: a autoajuda mudou a minha vida. E é essa transformação que eu quero compartilhar com vocês.